Como educar um filho respeitando-o e, ao mesmo tempo,
colocando os necessários limites que a vida impõe ? Essas
duas coisas são incompatíveis ?
(...) O nosso problema é saber como colocar limites de
modo conseqüente, sem se tornar autoritário. Em tempos
ditos democráticos são muitos os que se preocupam em evitar
um tipo de educação que não respeite e não reconheça a
criança.
Que tipo de limite é preciso colocar na criança? Em primeiro
lugar, aquele que impede que tenha acesso a algo que a
prejudica. O que acontece se os pais deixam os filhos,
entre os dois e cinco anos mais ou menos subir sozinho
numa escada perigosa ou se permite que esse filho escolha
ele mesmo a hora de ir dormir. E que conseqüências pode
provocar o fato de permitir que o filho, no início da
adolescência, decida sozinho onde, até que horas pode
se divertir com os amigos.
Vamos convir: esses riscos não são proporcionais as idades
citadas no exemplo!
Uma criança pequena não vai dar conta de se equilibrar
caso resolva experimentar subir a escada.
Um adolescente não vai, do mesmo modo, conseguir equilibrar
sua voracidade na busca de diversão.
Então alguém tem de fazer esse papel, enquanto eles não
estão prontos para assumir tais responsabilidades.Com
base nesses exemplos, podemos concluir que boa parte das
proibições que são colocadas aos filhos e alunos são mera
proteção a eles.Outro tipo de limite que as crianças recebem
é o que se refere aos relacionamentos.
Assim que a criança começa a perceber a existência dos
outros, ela busca companhia, parceria, convivência. Fazer
amizade, conviver no mesmo espaço, compartilhar brincadeiras,
por exemplo são atividades que supõe limites.
Afinal, a liberdade de um termina quando começa a do outro,
não é assim o velho ditado? Para organizar os contatos
humanos, existem as regras de convivência. Regras, portanto
limites.
Esses dois tipos de limites que a vida impõe podem e devem
ser colocados na educação dos filhos e significam respeito.
Respeito ao potencial da criança, à sua etapa de desenvolvimento,
ao seu futuro, a sua condição humana.
Colocar limites e respeitar crianças não são incompatíveis.
Mas conseguir o equilíbrio entre esses dois elementos
é sempre tarefa delicada(...)
E SE ELA NÃO QUISER FAZER ESPORTES
No caso de uma criança não querer saber de esportes, cabe aos pais coibir a adoção de
hábitos sedentários. Eles devem, entre outras medidas,
limitar o uso do computador e restringir o tempos na
frente da TV. Sem esses poderosos hipnóticos, talvez
o pequeno preguiçoso comece a participar de brincadeiras
em grupo que sacudam seu esqueleto em formação.
Como estimulá-lo a ter alguma atividade física regular
? Bem , uma das formas é dando o exemplo
A paulista Gabriela Santos, de 7 anos, faz balé clássico
e pratica natação quatro vezes por semana. Tem como
espelho sua mãe, Greice Santos, que sempre praticou
esportes.
AQUECIMENTO
No livro Exercício Aquático terapêutico,
1998, Ed. Manole, o autor menciona que o aquecimento
é o preludío do trabalho físico e deve sempre ser executado
em primeiro lugar. E que fisiologicamente, ele permite
ao corpo ajustar-se ao começo da atividade e preparar-se
para poder fazer face à demanda física que será necessária.
Ainda acrescenta, que o aquecimento deve ser gradual,
pois prepara os grupos musculares envolvidos para serem
alongados ou fortalecidos por um aumento da temperatura
e circulação nos músculos sem causar fadiga ou reduzir
os estoques de energia, fazendo com que os músculos
fiquem mais flexíveis, reduzindo as chances de lesões.
ESPORTE NA BOA MEDIDA
O exemplo é o melhor estímulo para
levar os filhos a se exercitar.
Crianças têm disposição natural para
exercícios. Matricular o filho em uma escolinha de esporte
pode ajudá-lo a desenvolver-se corretamente nesse aspecto,
desde que não haja exageros no número de atividades.
O excesso de esforço, sobretudo precocemente, pode levar
a lesões ou complicar o desenvolvimento físico da criança,
alerta o médico Turibio Leite de Barros Neto, da Universidade
Federal de São Paulo. Também é verdade que a overdose
acaba levando a criança a recusar a prática de qualquer
modalidade. A melhor alternativa é deixá-la escolher
o que mais gosta e manter-se atento ao seu comportamento.
Reclamações sobre cansaço ou dores são sinais de que
algo de errado está acontecendo. Diante de pequenos
um tanto preguiçosos, os pais costumam ter sucesso quando
dão o exemplo praticando uma atividade física com regularidade,
afirma Adroaldo Gaya, coordenador técnico do Centro
de Excelência Esportiva da Universidade de Federal do
Rio Grande do Sul. Observe abaixo as características
de alguns esportes recomendáveis para crianças.
A ESCOLHA CERTA
Natação
Queima gordura, aumenta a flexibilidade e reforça a
musculatura sem força a coluna.
Futebol
Reduz o stress, aumenta a sociabilidade, fortalece a
musculatura e melhora a destreza.
Artes marciais
Aprimoram a coordenação motora, os reflexos e a disciplina
fortalecem músculos e articulações.
Dança
Dá flexibilidade e agilidade, além de ajudar na coordenação
motora e na postura.
Ciclismo
Aumenta o tônus e a força das pernas e ajuda a controlar
o peso.
Tênis
Fortalece a musculatura e melhora a capacidade de concentração
e a coordenação motora.
CONSELHOS AOS PAIS
A ÂNSIA DE VENCER
Parece que muitos pais consideram normal, até mesmo
aconselhável, ensinar aos filhos que vencer é tudo,
especialmente nos esportes. Medalhas olímpicas são um
incentivo para muitas crianças hoje. Visando saborear
a glória de alguns momentos de vitória e garantir um
bom ganho na vida adulta, algumas crianças são pressionadas
a passar rapidamente pela infância ou até mesmo a esquecê-la.
Veja o caso das ginastas femininas. Elas começam numa
tenra idade com rigoroso exercícios que exercem pressão
sobre seus corpos pequenino. Passa anos se preparando
mental e fisicamente para competições olímpicas. É claro
que apenas poucas serão vencedoras. Será que as perdedoras
acharão que terá valido a pena o sacrifício de grande
parte de sua infância e mocidade? A longo prazo, até
mesmo as vencedoras podem ter dúvidas nesse respeito.
Emocionalmente, essas meninas talvez tenham uma infância
acelerada na ânsia implacável de se tornarem superatletas.
Mas esse treinamento rigoroso pode impedir seu desenvolvimento
físico normal e, em algumas o crescimento dos ossos
é prejudicado. Distúrbios de alimentaçâo são comuns
em muitos casos, a puberdade é delongada até mesmo por
anos.
CRIANÇAS QUE TEM TUDO MENOS INFÂNCIA
Acreditar na mídia do entretenimento
pode levar a pessoa a pensar que ter a infância ideal
significa regalar-se com todo tipo de luxo e comodidade.
Alguns pais fazem esforços estrênuos para dar aos filhos
todo conforto material possível, incluindo um lar suntuoso
de divertimento ilimitado e roupas caras .
No entanto, não são poucos os jovens criados dessa maneira
que acabam se envolvendo em bebedeira ou em abuso de
drogas e apresentam um comportamento taciturno e rebelde.
Por que? Muitos abrigam fortes ressentimentos, pois
sentem-se negligenciados. As crianças precisam de pais
presentes que as amem e cuidem bem delas. Pais ocupados
demais para fazer isso talvez acreditam que estejam
trabalhando para garantir a felicidade dos filhos, mas
é bem possível que estejam fazendo o contrário.
Em muitos casos, os filhos pagam um preço elevado, Mesmo
tendo muitas comodidade materiais, eles carecem dos
ingredientes essenciais da boa infância: o tempo e o
amor dos pais. Sem orientação, sem disciplina e direção,
enfrentam questões essencialmente adultas cedo demais,
com poucos ou nenhum preparo. "Devo usar drogas? Ter
relações sexuais? Reagir com violência à irritação?
" Provavelmente encontrarão as suas próprias respostas
com colegas ou com personagens da TV ou do cinema. Os
resultados muitas vezes acabam com a infância de maneira
abrupta, até mesmo trágica.
É PRECISO TER AUTORIDADE
Ser pai nos dias de hoje não é tarefa fácil .O mundo
está cheio de opções, e até tarefas aparentementes simples,
como scolher um tênis para presentear o filho, são complexas.
Trinta anos atrás existiam apenas cinco marcas. Hoje
são dezenas. Na hora de comprar o calçado o pai precisará
avaliar se ele será usado para correr, para andar no
mato, para sair à noite ou para jogar basquete. Precisa
lembrar se o filho pisa com joelho virado para dentro
ou para fora, se a perna de impulsão é a direita ou
a esquerda. Esse enorme leque de opções se repete no
processo de educação e formação do adolescente. Os pais
têm de enfrentar desde a escolha do modelo de escola
ideal até o dilema de deixar ou não a namorada dormir
no quarto dele . A boa educação, hoje implica ter posição
formada sobre cada um desses assuntos. As variáveis
são tantas que os pais precisam ser extremamente cuidadosos
para que a postura adotada com relação a um aspecto
de vida do jovem não entre em contradição com a adotada
em outro. Nesse ponto, a conduta no que se refere aos
filhos é como um bambu. Ele pode ser vergado para cá
e para lá ao sabor das mudanças mas não pode ser quebrado
a toda hora.
Um aspecto crucial na educação é a autoridade. Muitos
pais temem perder o amor dos filhos se forem firmes
nas regras e nas cobranças.Todo mundo sabe que adolescente
contrariado é encrenca na certa. Como uma criança birrenta,
ele reclama, briga e faz escândalo, dentro de uma escala
propocional ao seu tamanho. Nesse ponto os pais não
podem ceder .Precisam estar conscientes de que, como
todo mundo, os jovens não dão afeto a pessoas que não
respeitam. Se os pais forem omissos e ficarem quietos
por medo de perder o amor do filho, correm o risco de
se ver menosprezados e ignorados. Aí o afeto e a cumplicidade
que eles queriam preservar acabam se esvaindo completamente.
Um pai ou mãe que engole os próprios princípios e se
cala a cada malcriação dá um atestado de que não se
respeita e os filhos entendem isso como um sinal para
que não o respeitem também.
Engolir sapo significa deseducar com grande probabilidade
de esta criando um pequeno tirano dentro de casa. Exercer
autoridade de pai e de mãe exige sabedoria, os limites
precisam ser colocados em função de algo e exercidos
visando ao bem-estar de toda a família. Necessitam estar
a serviços da qualidade de vida e da educação do filho
nunca de um capricho. Muitos pais acreditam que dar
o bom exemplo é suficiente, o que não é verdade .Sem
uma determinação clara, os filhos não o perceberão e
não o seguirão. No outro extremo, abusar de proibições
e punições por si só também não funciona .Os filhos
precisam aprender e cabe aos pais ensinar. Se um filho
não quer estudar não adianta nada os pais se valerem
de seu poder e trancá-lo no quarto e obrigá-lo a sair
com a matéria decorada. O adolescente não vai estudar
e pronto. Por outro lado, os pais podem negociar e dizer
que vai poder sair, fazer o que quiser, desde que lhes
explique o assunto que precisa estudar com suas próprias
palavras. Ele terá então, um estímulo para se debruçar
sobre os livros e até abrirá um canal para que esclareça
dúvidas com a ajuda dos pais. Muitas vezes o jovem não
estuda simplesmente porque não entende a matéria .Esse
é um bom exemplo em que a autoridade estaria sendo usada
para a evolução do filho. A maioria dos pais, quando
exerce autoridade, simplesmente proíbe o que o filho
gosta de fazer na verdade eles deveriam reorientar momentaneamente
a energia que o adolescente gastaria numa atividade
para outra. Sempre é possível mudar para melhor. O filho
pode ser o folgado que se apóia no sufocado. Nesse caso,
a mudança tem de vir do sufocado pois, se estiver bom
para o folgado, ele irá nessa posição para todo o sempre,
amém!
O ser humano é o único que pode mudar sua história,
pois inteligência e criatividade. Basta acrescentar
a motivação.
MATÉRIA REVISTA VEJA AGOSTO /2003
AUTOR :IÇAMI TIBA
A INICIAÇÃO NOS ESPORTES E OS RISCOS DE UMA ESPECIALIZAÇÃO PRECOCE
O autor tenta mostrar ao leitor, algumas das principais
idéias sobre a prática esportiva infantil, seus aspectos
positivos, as diferenças entre iniciação, especialização
e precocidade esportiva. Também argumenta sobre os aspectos
positivos e negativos da mesma concluindo com meios
adequados para uma esportiva saudável e sem risco.
Um aspecto importante a ser ressaltado é o de que existem
muitas pessoas envolvidas neste terma e portanto forças
extremas agem sobre a criança, como os pais que na maioria
das vezes não possui conhecimento para decidir corretamente
qual o encaminhamento adequado ao filho. O autor coloca
dados nos quais é comprovada a real vontade dos pais
de verem seus filhos praticando um esporte seja, ele
especializado ou não. Já médicos e professores apoiam
também, porem com uma profunda discussão sobre a controvérsia
da especialização ou não das crianças .O autor destaca
os diferentes conceitos da prática esportiva na infância.
A iniciação esportiva é o processo de chegada á escolinha
e a prática esportiva. Já a iniciação esportiva precoce
seria a atividade desenvolvida desde criança com muita
dedicação aos treinamentos e com finalidade competitiva.
O último termo seria o Treinamento Especializado Precoce,
fundamentado como sendo o treinamento a longo prazo
de criança antes de sua fase pubertária objetivando
o alto rendimento..
Eu sou a favor de que na fase pré-puberdade se estabeleça
as bases para futuro possa desenvolver-se uma criança
com as condições mínimas de ser um futuro atleta de
rendimento, casos tenha as características genéticas
necessárias.
Para um bom trabalho precoce, acho necessário que se
leve em contas o que no texto se reivindica, que é a
limitação das hora de treinamento, intensidade e objetivos
desse treinamento e a qualidade de ensino nas escolas
de nível pré-escolar e fundamental. Fazendo isso evitamos
que os malefícios de uma atividade infantil possam ser
causados. Para concluir, acho que mesmo que uma criança
venha a alcançar ótimos ou até excelentes resultados
na infância não são garantia de que esse indivíduo seja
um atleta de alto rendimento na fase adulta. A exemplo
disso podemos citar o fato de que o famoso jogador de
tênis, Guga, era derrotado em alguns torneios de categoria
infanto-juvenil por atletas da UNISINOS, porém hoje
se encontra num estágio muito superior do os antigos
"carrascos"
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:
VARGAS NETO,FRANCISCO XAVIER
A iniciação nos esportes e os risco de uma especialização
precoce
Formar cidadãos não é tarefa só da escola
Tem pai que entrega a educação dos filhos à escola e não dá a mínima para os próprios maus modos. Esse tipo acaba se surpreendendo depois com os níveis de egoísmo e insensibilidade dos filhos. Para a educadora Tânia Zagury, autora dos livros Educar sem culpa – A Gênese da Ética e Limites sem Trauma, o problema é que na formação do caráter da pessoa quem mais influencia são os pais . Não com discursos,mas nas atitudes cotidianas. Assim ,o funcionário público que não pode explicar aos filhos a origem de seu patrimônio tenderá a ter problemas com a integridade deles no futuro. Do mesmo modo , pais preconceituosos,arrogantes ou mal-educados estão dando exemplos que os pequenos tenderão a copiar. ¨Gente sem princípios forma maus cidadãos ¨,diz Tânia.Confira alguns exemplos de pequenas atitudes que podem ajudar na formação ética da criança:
۰ Avisar ao garçom quando a conta foi cobrada a menos – e ser educado se for cobrado a mais .
۰ Pagar a guloseima que o filho comeu dentro do supermercado,mesmo que ninguém tenha visto.
۰ Não generalizar suspeitas sobre a desonestidade alheia apenas porque uma pessoa não agiu corretamente.
۰ Não usar mentiras nem subterfúgios ao tratar de assuntos difíceis com empregados domésticos .
۰ Não estabelecer regras diferentes para seus filhos - o que vale para um vale para todos.
۰Manter o combinado com a criança,sem modificar as regras de acordo com as conveniências do momento.
۰Respeitar quem se empenha em atos de solidariedade com os menos favorecidos, mesmo discordando da causa.
۰Chegar na hora combinada aos encontros - e não dizer desaforos sobre quem não chega.
REVISTA ¨VEJA¨ 13 DE NOVEMBRO, 2002.
A importância do incentivo dos pais
O maior líder corporativo do último século, uma lenda viva no mundo dos negócios, Jack Welch, ex-presidente do Grupo GE, presente em todos os países, com diversos produtos, desde lâmpadas até turbinas de avião em sua autobiografia lançada recentemente no Brasil, descreve uma das lições mais importantes que recebeu de sua mãe quando era criança.
Após perder a esportiva durante uma partida de hóquei sobre o gelo, a mãe de Jack falou:
- “Seu idiota!” Gritou ela.
- “Se você não souber perder, nunca saberá ganhar. Se você não for capaz de suportar perdas, não entre no jogo”.
Perder muitas vezes não é o fim, mas talvez o início de um longo aprendizado.
A base para o desenvolvimento de uma criança é sua família. Nascemos como um mármore que aos poucos é lapidado.
O incentivo após as derrotas, faz com que a criança se torne mais confiante para superar as dificuldades de hoje e do amanhã.